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Por que séries como Lupin fazem tanto sucesso

17 de janeiro de 2021
Lupin Netflix

Parece uma pergunta óbvia, para muitos a resposta está no roteiro cheio de reviravoltas que nos instiga a avançar cada vez mais na trama, outros apontarão o elenco, principalmente a atuação do talentoso e carismático Omar Sy. Há ainda quem atribua as locações – Paris é uma fonte inesgotável de inspiração. Por fim, a maioria chegará a conclusão que é a combinação de todos estes fatores. Mas há elementos nesta história que carregam o real motivo do sucesso da série. Descubra a seguir, por que séries como Lupin fazem tanto sucesso.

Maniqueísmo, Arquétipo da sombra e a Jornada de um herói

O bem e o mal são conceitos tão difundidos ao longo da história da humanidade, que é praticamente impossível datar onde e quando tais ideias começaram a serem discutidas. No entanto, alguns marcos são importantes, como em 1700 a.C, a criação do Código de Hammurabi, um conjunto de leis para controlar e organizar a sociedade, que por sinal, atualmente, encontra-se no Departamento de Antiguidades Orientais, Ala Richelieu do Museu do Louvre, o mesmo que aparece no início da série Lupin.

No século IV a.C., o relativismo de Protágoras, com a ideia que a verdade depende da experiência pessoal, passando por Maniqueu no século III, na Pérsia, que concebia o mundo sob uma visão dualista de espírito e matéria, respectivamente do bem (luz) e do mal (trevas). Posteriormente essas trevas foram traduzidas a sombras por Nietzsche, que por sua vez, influenciou profundamente o trabalho do psiquiatra Carl Jung.

Segundo Jung, Arquétipos ou Imagens Primordiais, é o conteúdo do chamado inconsciente coletivo. Essa camada da psique não é individual, mas pertence a toda a coletividade.

É aqui que entra um dos fatores primordiais para o sucesso de obras como Lupin. Ao assistirmos as investidas do protagonista contra o núcleo do mal, dos corruptos, inconscientemente nos sentimos realizados, pois somos testemunhas que alguém está tentando, mesmo que de forma questionável, fazer justiça.
De certo modo, já faz parte do inconsciente coletivo, que quando a justiça do “homem” falha, não é condenável que alguém o faça com as próprias mãos, pois na incapacidade de fazê-lo, o que sobra é a admiração por aqueles que tem coragem de seguir adiante.

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O Lupin da série sabe o quanto custa jogar limpo com aqueles que agem fora da Lei, por isso, ele encara suas sombras e parte numa jornada em busca de justiça. Apesar de suas mentiras e trapaças, não há dúvidas que ele é o grande herói da trama. Isso é vendido de forma tão convincente ao espectador, que poucos questionam suas ações. Para ele e, somente para ele, vale a máxima que o fins justificam os meios.

O Lupin da série, sabe o quanto custa jogar limpo com aqueles que agem fora da Lei

Roteiristas não são seres que ficam somente trancados escrevendo o dia inteiro, isolados do mundo. Sim, eles fazem isso, mas antes eles estudam conceitos filosóficos, têm ótima noção sobre arquétipos e psicologia e, acima de tudo, estão sempre se atualizando, sabem explorar assuntos que tem maior potencial de agradar e principalmente, engajar o público. Por parte da direção, a escolha do ator foi extremamente bem sucedida, afinal, Omar é um dos artistas mais queridos da França, o que não o poupou de críticas. Alguns fãs do clássico criado por Maurice Le Blanc em 1905, lamentavelmente condenaram a escolha do astro simplesmente pela cor de sua pele.

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Num mundo politicamente polarizado, com crescentes ondas de intolerância, racismo, corrupção, e com as pessoas conscientes impedidas de se manifestarem nas ruas por conta da pandemia, uma série inspirada nas aventuras de Lupin chega como bálsamo. Seu único defeito é que ela acaba. O desejo da maior parte dos espectadores é que existam mais Lupins para derrotar os Pellegrinis da vida. A notícia boa é que novos episódios chegarão como a Parte 2 entre os meses de Junho e Julho deste ano.

“Uma pessoa não é iluminada por imaginar figuras de luz, mas por estar ciente da escuridão.”

Carl Jung

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