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O que esperar da segunda temporada de Little Fires Everywhere

by Jú Miyoshi | @movie.places
Segunda temporada de Little Fires Everywhere

Lançada nos EUA em março pela Hulu, no Brasil a série protagonizada por Reese Witherspoon e Kerry Washington chegou em maio através da Amazon Prime Vídeo e já é uma das maiores apostas da plataforma, com publicidade em diversos meios de comunicação. O anúncio de uma continuação ainda não veio, mas se confirmado o que esperar da segunda temporada de Little Fires Everywhere?

Little Fires Everywhere

Little Fires Everywhere é uma série adaptada do romance homônimo da escritora norte-americana Celeste Ng. A trama se passa em 1997 na cidade de Shaker Heights no estado de Ohio. Elena (Reese) e Mia (Kerry) são duas mulheres que pertencem a mundos completamente diferentes, seus caminhos se cruzam, e apesar das diferenças elas tentarão conviver devido a amizade de seus filhos.

Elena pertence a classe média alta da cidade, é casada, mãe de quatro filhos, e trabalha como jornalista num jornal local. Aparentemente tem uma vida perfeita. Mia é artista plástica, mãe solo da jovem Pearl (Lexi Underwood). Elas acabam de chegar à cidade e estão a procura de um lar provisório, aí que entra Elena, ela é proprietária do imóvel que será alugado por Mia.

Ao desenrolar dos episódios o espectador é convidado a viajar no tempo e participar de momentos marcantes da vida destas mulheres. Ao conhecer suas experiências é possível entender seus padrões de comportamento no presente, alguns justificáveis, outros não.

O que esperar da segunda temporada de Little Fires Everywhere
Walt Disney Television (Foto: Reprodução)

Little Fires Everywhere é uma série sobre maternidade e o peso de nossas escolhas, além disso, aborda de forma brilhante o racismo estrutural. É muito fácil odiar Elena, condenar suas atitudes, mas devemos lembrar que a série se passa em 1997, e esse detalhe pode ser visto como uma crítica, achamos um absurdo alguns de seus comentários, mas esquecemos que estamos em 2020 e muitas pessoas ainda se comportam de maneira semelhante, se alienam em universos particulares, fingem ouvir e entender a dor do outro enquanto na verdade estão ávidos para falar de seus próprios problemas, mesmo que infinitamente menores.

Elena também erra ao tentar viver de aparência, insistir num plano de vida como uma fórmula onde cada etapa deve ser executada com precisão, tamanho é o esforço aplicado nesta dinâmica, que ela fica completamente cega perante os problemas reais que assolam sua família.

Mia é outra que está longe de ser perfeita, tampouco está interessada nisso. Ela é coerente em suas atitudes, luta por seus ideais, e é do tipo que não leva desaforo para casa. Assim como é fácil odiar Elena, também é fácil se simpatizar com Mia e seu espírito artístico, livre. Mas Mia também erra, seu maior erro é tentar impor a Pearl seu estilo de vida, é intransigente em alguns momentos, e como quase todas as mães, acredita saber o que é o melhor para sua filha.
Afinal, o que a distingue de Elena? E a resposta está em sua sensibilidade. Ela consegue entender muito melhor o que está acontecendo ao seu redor, seu senso de justiça a faz reconhecer que é chegado o tempo de mudar e ela muda. Esse é apenas um dos belos pontos da personagem.

Segunda temporada de Little Fires Everywhere

A showrunner Liz Tigelaar admitiu em entrevista à EW que está aberta a desenvolver uma segunda temporada de Little Fires Everywhere porque este é um dos melhores trabalhos no qual já esteve envolvida:
“Foi uma experiência incrível de trabalho, adaptando algo que eu amo de todo o coração, com pessoas que amo “. Mas quando se trata da história, Tigelaar diz: “No meu coração, sinto que sempre foi assim, uma série limitada. É um show com começo, meio e fim. Tudo queima.”

O que esperar da segunda temporada de Little Fires Everywhere

Little Fires Everywhere tem sido muito comparada com a série Big Little Lies da HBO por alguns motivos, um deles é o foco familiar na figura materna e em suas relações com filhos, outro ponto é a presença de Reese Witherspoon no elenco e na produção executiva, além disso, é uma obra adaptada de um livro sucesso de crítica. Neste sentido, a série já nasce como um produção limitada. Quando encerraram a primeira temporada de Big Little Lies divulgaram que não haveria uma segunda temporada e é a essa declaração que os espectadores que se encantaram com Little Fires Everywhere tem se apegado, mas se confirmada, o que esperar da segunda temporada?

Segunda temporada de Little Fires Everywhere
Walt Disney Television (Foto: Reprodução)

O livro de Celeste Ng termina a partida de Mia e Pearl além da fuga de Izzy (Megan Scott) após incendiar a casa da família, Elena passa o resto de sua vida procurando por sua filha. O que vimos na adaptação foi um final diferente, onde os irmãos de Izzy a impede de iniciar o incêndio, mas terminam o trabalho. A mudança de final pode ser uma maneira de deixar a série aberta para uma segunda temporada, que pode explorar a nova dinâmica familiar causada pela transformação dos demais filhos, Elena também pode voltar renovada e com um olhar diferente sobre a própria vida. Já a relação de Mia e Pearl deverá estar ainda mais fortalecida por conta da honestidade agora presente entre elas, é provável que mostrem a convivência de Pearl com os avós, além do encontro com seu pai. Eu sinceramente gostaria de ver Mia desenvolvendo mais seu trabalho como artista e recebendo o devido reconhecimento por seu talento.

O fato da série não fornecer um epílogo como no livro, pode sugerir que Izzy possa voltar e que Mia e Elena se cruzem novamente.

Leia também: Um dia em Monterey a cidade de Big Little Lies

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19 comments

Thayse 2 de julho de 2020 - 05:26

Mia coerente em suas atitudes? Ao precisar de dinheiro para concluir a faculdade decide entrar em contato com o homem que antes recusara, por considerar a proposta absurda, mas que agora parece ser seu bote de salvação. Mia usa o casal para realizar seu sonho e simplesmente acaba com a vida deles ao decidir que ficaria com a menina após perder seu irmão, pais e etc. Aí ela abandona quem diz amar, perde a namorada também sem se despedir e se uma jornada forçando a filha A se esconder das verdades… Não vejo coerência, vejo uma pessoa perdida que tomou atitudes tão egoístas quanto as da Elena. Acho que é nesse ponto que as duas têm semelhanças.

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Jú Miyoshi | @movie.places 2 de julho de 2020 - 14:23

Ao contrário de Elena, vemos a evolução de Mia, ela percebendo seus erros e tentando melhorar, como disse ela está longe de ser perfeita, mas no presente suas atitudes são em maior parte coerentes, ela não esconde que sua paixão é a arte, não a faz só por ocupação ou para agradar terceiros. Ela é egoísta por priorizar seu trabalho? Sim, mas nem sempre isso tem que ser visto como algo ruim, o problema é que não estamos acostumados a ver o egoísmo atrelado à maternidade. Já Elena também é egoísta, mas não reconhece, não enxerga, pelos menos não enxergava seus erros, por isso gostaria de uma segunda temporada para ver uma possível evolução da personagem.

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Pedro 2 de julho de 2020 - 21:54

Já eu adorei Elena e odiei Mia

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Jú Miyoshi | @movie.places 4 de julho de 2020 - 14:43

Eu acho as duas super complexas e problemáticas, adorei ambas!

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Melissa 5 de julho de 2020 - 17:22

Eu amei a Elena do começo ao fim, pena não poder dizer o mesmo da Mia… série incrível!

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Viviane 10 de julho de 2020 - 16:25

Fiquei com muita raiva da Mia quando o passado dela foi revelado por completo! A frase que ela fala que a outra teve boas escolhas que eu tinha achado maravilhosa perdeu todo o sentido.

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Jú Miyoshi | @movie.places 10 de julho de 2020 - 22:54

Eu já fiquei com uma raiva da Elena por ter saído de Paris, não ter arriscado, querer ter uma vida padrão, aí depois se arrependeu, mas nunca reconheceu isso e ainda fazia todos viverem seu plano de vida “perfeita”. Eu comecei a série odiando as caras e bocas da Mia, mas depois fui gostando muito da personagem, por fim gosto das duas, as aceito com todos os defeitos,.

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Viviane 10 de julho de 2020 - 16:29

As duas são muito mais complexas do que os rótulos que elas carregam, por isso achei a série tão maravilhosa ! Os outros personagens também são muito bons !

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Bruna E. 11 de julho de 2020 - 09:32

Ju, adorei tua escrita e compartilho dos mesmos pensamentos em relação a série e as personagens. Que delícia a possibilidade de uma segunda temporada!
Parabéns pelo trabalho.

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Jú Miyoshi | @movie.places 12 de julho de 2020 - 13:49

Muito obrigada! 🥰
Estou aqui na torcida por uma segunda temporada!

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Claudia 12 de julho de 2020 - 19:04

Lí os comentários e é muito interessante que nos dias atuais grande parte aponta apenas para os “erros” ou escolhas da Mia e se esquecem da vida fútil da Elena, onde fez que os filhos e até o marido vivessem ao seu bel prazer, para que ela esquecesse suas escolhas erradas para ser a mulher, esposa e mãe perfeita. Elena não se importou com os sentimentos dos filhos, do marido, da amiga, ela sempre quis ser o centro das atenções com sua vidinha perfeita…. Mia, sempre teve que ir atras e batalhar muito pelos seus sonhos e foi levada pela vida e seus preconceitos…. Quando Mia estava no estacionamento, foi tratada com uma quase bandida, quando Elena se encontrava na mesma situação, o policial solicito, foi ajudá-la, não veem a diferença? Até aqui as criticas caem sobre Mia que guardava o dinheiro para uma possível reivindicação do pai da Perl mas não, as pessoas queriam que ela desse uma boa à filha vida já que tinha dinheiro…. Não precisava, não veem isso? Podemos viver com pouco sim, não viram a Elena? Tinha tudo mas não era feliz enquanto a Mia e a Perl só tinham uma a outra e eram felizes ao se comparar com a Elena. Mesmo depois de tudo isso, vão falar: – Lá vem o mimimi …. Será?

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Gabriela 19 de julho de 2020 - 14:26

Não concordei com sua opinião de que é fácil odiar Elena e simpatizar com a Mia, mas graças a Deus nos comentários vi que muitas pessoas também não. Mia é a perfeita hipocrisia personificada, sempre pronta para julgar (coisa que fez desde o primerio minuto na série) e comete erros ainda piores do os que julga. Acho que Mia foi uma das personagens mais moralmente problemáticas de todas as séries que vi. Não bastasse ela própria ter roubado a Pearl, ainda foi a responsável por destruir a vida de um casal inocente que adotou uma bebe. Ao longo de sua jornada são inúmeras as péssimas escolhas dela, desde suas atitudes como pessoa e também como mãe,que me fizeram detestar a personagem.

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Bethania 24 de julho de 2020 - 02:46

Acho interessante como os comentários revelam o racismo estrutural aqui no Brazil, pouco abordado nessa revisão, especialmente ao ver que maioria adorou Elena e odiou Mia. O foco da serie eh o tempo todo as tensões raciais das duas. A inveja de Elena por Mia, ate o marido da própria Elena nota….Elena sempre intrigada por Mia não se comportar ou ocupar que ela destina a uma mulher negra, empregada domestica, cuidadora, sem potencial intelectual, sem potencial artístico, etc…. Realmente quem não ver cor, como Elena, não consegue entender a complexidade da serie e as suas nuances. A ironia eh que a serie fala justamente sobre isso. Parece um desperdício e isso mostra realmente que seriam os personagens na serie quem comentou…

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Jú Miyoshi | @movie.places 25 de julho de 2020 - 14:09

Quando escrevi este post estava muito segura que era óbvio a questão do racismo estrutural e que os espectadores iriam perceber toda a dinâmica, optei por não me aprofundar no tema e focar na possibilidade de uma segunda temporada transcrevendo entrevistas da showrunner, mas ao ler os comentários percebi o quão a sociedade ainda não está preparada para compreender todas as implicações em torno do racismo, ainda temos muito que evoluir.

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ivan 23 de agosto de 2020 - 03:48

Muito bom Claudia

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Mari 29 de agosto de 2020 - 19:17

Eu amei a Helena e odiei a Mia. Porque a Mia só chegou em si, qdo a filha soube de tudo, se não Mia continuaria mentindo. A Pearl sempre teve direito de saber de onde veio e isso não deve ser escondida da criança NUNCA. A Helena teve uma mãe que impôs a ela uma vida “perfeita” e foi agraciada por um belo marido e filhos, poderia ter ido além e ainda pode. Ela se sentiu traída por Mia, qdo essa revela sobre o bebê. E quantas vezes, não vemos meninas como Izzy querendo que tivessem outras mães. Falo.por mim, cansei de ver amigas da minha filha me dizendo isso, e eu triste em saber disso. Mas diferente da Mia, eu nunca diria a uma menina que odeio a mãe dela. Sempre tentaria algo diferente. Mas com certeza nunca seria barriga de aluguel pra pagar a faculdade. Ela nem procurou outra oportunidade ou mesmo falou com Pauline…..

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ac 11 de setembro de 2020 - 10:53

Mia faz todos acreditarem que o CRIME compensa. O FIM JUSTIFICA OS MEIOS.

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Paloma 13 de outubro de 2020 - 03:25

Não li o livro, assisti apenas a série. Concordo com o que muitas pessoas já comentaram acima, mas vou deixar meu ponto de vista sobre alguns personagens:

– Achei a Elena muito mais corajosa do que a Mia, pois apesar das dificuldades em cuidar de 4 filhos ela sempre assumiu sua escolha. A Mia por sua vez passa a vida fugindo por uma escolha errada e privando a filha de uma vida estável.

– Sobre a Babe: entendi o drama de criar uma filha sem condições, mas abandonar uma bebê e depois exigir tê-la de volta (e ainda sem estrutura nenhuma pra sustentar essa criança) é no mínimo sem noção… A Mia perdeu mais um ponto comigo aqui, por incentivar tudo isso… Inclusive a responsabilizo pelo desequilibro mental da Babe que a levou a sequestrar a bebê.

– Sobre a Izzi: criaram uma adolescente injustiçada pela mãe opressora, mas a verdade é que ela é uma mal agradecida de mão cheia. Trata a mãe como se fosse uma amiga da escola. Reclama de tudo porque na verdade tem tudo. Se fosse como a Pearl, filha da Mia, reclamaria por não ter nada… Típica personagem bem “mais do mesmo”, assim como os outros filhos da Elena.

– Gostei mesmo da Pearl, que parece ter mais juízo do que a Mia e apesar das crises juvenis, no final mostrou que respeita a mãe acima de tudo. Aqui eu acho que a Mia acertou: na educação da Pearl, que pra mim, é a personagem mais madura da série.

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Ludmila 5 de novembro de 2020 - 11:28

Não tem nada de complexo nas personagens Mia e Elena. São duas grandes crazy bitchs! E só.

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