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Crítica: Berlin Alexanderplatz

22 de fevereiro de 2021

Publicado em 1929, o romance de Alfred Döblin, Berlin Alexanderplatz, acaba de ganhar uma nova versão cinematográfica, que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 18, mantendo a característica marcante da obra original, com descrição documentalista, fria e distanciada dos fatos, quase sem sentimentos, e ao mesmo tempo inovando ao conferir uma nova roupagem ao personagem principal, Francis, que agora ao invés de um prisioneiro que acaba de ganhar a liberdade, é um imigrante que sobreviveu à fuga da África Ocidental. Essa escolha do diretor e roteirista Burhan Qurbani (Nós Somos Jovens. Nós Somos Fortes) confere novos ares a história, descortinando a situação de vulnerabilidade que migrantes ficam expostos no país que continua sendo o principal destino de refugiados.

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Berlin Alexanderplatz

O filme, que foi um dos destaques da programação da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, começa com Francis lutando para sobreviver a um naufrágio, numa sequencia onde o vermelho tem lugar de destaque, servindo como uma espécie de anunciador da brutalidade que está por vir. Uma vez na Europa, ele decide que levará uma vida normal, que será um homem bom, deixando para trás um passado de delitos. Na prática, se vê preso em subempregos, vivendo de forma miserável, cercado por violência e exposto a um racismo pungente. Sua vida começa a mudar quando o alemão Reinhold cruza seu caminho. Os dois estabelecem uma relação de cumplicidade, mas não igualitária, Francis, agora renomeado Franz por Reinhold, é usado para os mais diversos fins, mas parece não perceber, caracterizando uma inocência infantil que o lança aos caminhos tortuosos indicados pelo falso amigo, um homem invejoso, neurótico e perverso, acostumado a viver relações descartáveis.

Berlin Alexanderplatz – A2 Filmes Foto – Reprodução

Franz se martiriza e se sabota em nome de uma culpa do passado. Ele tenta se esquivar do submundo do crime, ser um homem honesto, mas falha. Ao longo da jornada, aceita tudo de ruim que acontece em sua vida como uma forma de punição pelo erro cometido anteriormente. Se rende, mas sempre é resgatado. Enquanto isso, a narração, em voice-over, parece tentar nos convencer que o nosso herói está predestinado a ruína. Para quem não leu o livro, não conhece a história, preste bastante atenção nela, lá pelo meio do filme sua dona será revelada e quem estiver atento poderá já prever parte do desfecho.

Berlin Alexanderplatz é um filme longo, mas que nos impulsiona a ir adiante, a se embrenhar no submundo de seres quase invisíveis, que vivem à margem da sociedade. O ritmo é lento, mas carregado de tensão, o que nos provoca constantemente, assim como as interpretações autênticas, com destaque para Welket Bungué e Albrecht Schuch, Francis e Reinhold respectivamente.

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