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Crítica (ácida) Por Lugares Incríveis

by Jú Miyoshi | @movie.places
Por Lugares Incriveis

Toda vez que vou assistir um filme cujo a temática é sobre depressão eu fico receosa, ou o filme será um drama pesadão que me deixará mal por dias ou ele será superficial e não passará nem perto dos problemas que um deprimido enfrenta. Por lugares incríveis se encaixa num destes dois cenários, no qual irei revelar mais adiante.

Por Lugares Incríveis

Em 2015 a escritora Jennifer Niven lançou o livro Por Lugares incríveis no qual dois jovens se conhecem sob uma circunstância que poderia ser trágica, isso desperta uma amizade genuína que evolui para um romance. Juntos, Violet Markey (Elle Fanning) e Theodore Finch (Justice Smith) irão criar fortes laços, superar seus medos e traumas do passado.
Vale ressaltar que Jennifer esteve envolvida no processo de roteirização de sua obra.

Depressão

O tema depressão na adolescência/juventude tem sido cada vez mais discutido em livros, filmes e séries, na minha época a realidade era outra, me lembro que o filme mais expressivo que vi sobre o assunto foi Garota Interrompida, excelente trama diga-se de passagem, com interpretações impecáveis, porém como se passava em meados dos anos 60 o estigma da loucura e o isolamento ainda eram muito presentes. Particularmente fico feliz que isso esteja mudando, aos poucos a ignorância tem perdido espaço para a conscientização e empatia.

Como não li o livro, eu não sabia que Por lugares incríveis era sobre depressão, fui assistir porque apareceu como sugestão da Netflix (desconfio que devido aos meus padrões ela já saiba que tenho algum tipo de distúrbio psicológico…) o pior é que olhei a foto de capa e automaticamente deduzi que era sobre um romance juvenil bobinho, então já fica a deixa ao desavisados de plantão: o filme é sobre Depressão e Suicídio.
Pesado né? Só que não. Me explico.

Apesar do tema ser super importante, eu achei o filme lento e superficial, há partes que ele simplesmente se arrasta e você fica perdido, aí do nada acelera e nos dá um baita soco no estômago. É triste eu dizer isso, mas não consegui me conectar com as dores dos protagonistas, achei tudo muito forçado. Uma fotografia linda, bons atores e história rasa. Faltou aprofundamento da condição de Finch, me senti muito irritada com a ideia de sua morte ter servido unica e exclusivamente para dar sentido a vida de Violet. Provavelmente a intenção da roteirista não deve ter sido essa, mas foi a impressão que tive ao assistir o filme.

Resenha Por Lugares Incríveis
Por lugares incríveis tratou superficialmente questões sobre depressão e suicídio


Li um post que abordava as diferenças do livro, eu não quero ser a chata que fica falando que livros são sempre melhores, mas neste caso é muito provável que seja, só de saber que a questão familiar do Finch foi melhor desenvolvida já conta um grande ponto.

Para finalizar, tenho certeza que Por Lugares Incríveis foi produzido para agradar os fãs do livro que queriam sua versão cinematográfica, porque pra quem não leu a experiência é decepcionante, e para alguém que tem depressão dizer isso é porque o negócio realmente ficou ruim. Eu não troco minha Garota Interrompida por esse água com açúcar feito para agradar a massa. E se você acha que estou velha ultrapassada, vai ver a série Euphoria (HBO), essa trama sim toca no cerne da questão, não fica querendo agradar todo mundo com historinha “bonitinha” onde mocinho morre pra mocinha dar valor a vida. É de lascar viu!

P.S.: Se ainda não está convencido que este filme não retratou bem o universo de uma pessoa com depressão e/ou bipolaridade, assista o episódio 3 de Modern Love e sinta a diferença na narrativa. Em apenas poucos minutos consegue ser muito mais profundo que Por lugares incríveis em suas quase 2 horas de duração.

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2 comments

Juana 17 de março de 2020 - 03:46

Concordo plenamente! É extremamente superficial e decepcionante! O ep 3 de modern love é fantastico retrata exatamente como a gente se sente.

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Jú Miyoshi | @movie.places 17 de março de 2020 - 15:08

Não é? Só pincelaram, passaram longe de mostrar a realidade, abrir diálogos e reflexões. Ótimo exemplo de como desperdiçar um ótimo tema, bons atores e orçamento!

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