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O que fazer na Bretanha de Asterix e Obelix

by Jú Miyoshi | @movie.places

Quando pensamos em destinos para a Lua de Mel a França com certeza entra como destino certo, mas dificilmente a região da Bretanha é considerada como uma das primeiras opções. Nós já havíamos incluído em nossa viagem cidades super românticas, passando por Paris, Chamonix Mont-Blanc e Colmar e eu ficava me perguntando: afinal, quem iria para Bretanha na lua de mel? Nós, é claro!
Como a região faz fronteira com a Normandia, onde fica o Monte Saint Michel e esse era um lugar que queríamos muito conhecer, não foi difícil encaixá-la no roteiro. Essa foi uma feliz escolha, pois de todas as regiões que estivemos na França esta foi a minha preferida, na qual eu voltaria hoje se pudesse… Agora vamos apresentar 3 motivos para lhe convencer a incluir a Bretanha de Asterix e Obelix em sua próxima viagem à França.

Motivo número 1 – Suas cidades e castelos magníficos

Vitré

Partimos de Paris e chegamos na Bretanha de trem em sua capital administrativa Rennes. O terminal estava em obras e o meu amor pela Bretanha não foi instantâneo, muito pelo contrário, o caos da estação ferroviária só confirmava o meu sentimento que não deveríamos ter incluído este destino em nossa lua de mel, mas isso estava prestes a mudar, pois pegamos a estrada e em menos de uma hora iríamos nos encantar por uma linda cidade chamada Vitré.

Château de Vitré

Vitré – agora sim amor à primeira vista


Era quarta-feira e a cidade estava vazia, só os moradores e nós como turistas, um verdadeiro presente para um casal em lua de mel. Logo na entrada da cidade já somos recebidos pelos muros do belíssimo Château de Vitré. Este castelo foi primeiramente construído em madeira, isso por volta do ano 1000, já no século XI foi construído o primeiro castelo em pedra, porém, somente no século XIII ele assumiu o formato que conhecemos hoje. Em 1820 foi comprado, mas as obras para sua restauração só iniciaram em 1875. Atualmente a prefeitura de Vitré fica em seu interior e no pátio onde ficavam os estábulos, hoje é um vasto estacionamento.

A cidade é linda e as casas medievais no caminho para entrada do castelo é um presente para os nossos olhos, além disso, logo em frente a rua que dá acesso ao castelo há uma loja de artigos medievais chamada Le Captoir de Le’Ours, onde a parada é obrigatória.

Vitré na Bretanha

Vitré – nem tudo é cinza na Bretanha
Arquitetura medieval em Vitré

Vitré, entrada da cidade – presente para os olhos

Château de Vitré

Entrada do Castelo de Vitré – amplo estacionado, que no passado servia como estábulo
Captoir de Le’Ours

Le Captoir de Le’Ours – interior da loja.

Fougères

Há aproximadamente 30 km de Vitré está Fougères, localizada na fronteira entre a Bretanha e a Normandia, outra cidade também famosa por seu castelo. Construído por Raoul II, remonta ao século XII. A cidade foi disputada por franceses e ingleses e somente em 1448 foi anexada à França. Assim como castelo de Vitré, passou por obras de restaurações ao longo dos séculos, sendo as torres construídas no século XV.

Fougères conta ainda com um bairro medieval situado na parte baixa da cidade, com uma igreja, cujo o patrono é Saint-Léonard e um muito bem preservado jardim público, que faz a ligação entre a cidade alta e o bairro medieval.

Fougères

Château de Fougères – vista superior
Fougères, Bretanha, França

Château de Fougères – vista inferior
Château de Fougères Jú Miyoshi

Château de Fougères – pausa para selfie com cidade ao fundo

Dol de Bretagne

Ir à Bretanha e não conhecer a cidade que é reconhecida como o berço nação Bretã, pode ser comparada como ir a Roma e não ver o Papa. Comparações à parte, infelizmente isso é o que acontece, pois esta é uma das cidades pouco visitadas pelos turistas, somente àqueles que buscam tesouros históricos a incluem em seus roteiros. No motivo número 2 iremos falar um pouco mais sobre o significado histórico desta cidade.

Dol de Bretagne

Loja de jardinagem em Dol – simplesmente encantadora
Dol de Bretagne

Museu de Dol – estava fechado, mas ficamos nos perguntando as preciosidades que deveria ter lá dentro

Château de Dol – propriedade do século XI

Dinan

De todas as cidades que estivemos em busca de castelos, foi em Dinan que encontramos o mais bem preservado. É possível conhecer seu interior. A entrada é paga e custa 7 euros.

Chateau de Dinan

Chateau de Dinan – Grande fortaleza

O château foi construído entre os anos de 1382 e 1383 e diferentemente dos vistos nas outras cidades como Vitré e Fougères, este foi elaborado na forma de uma fortaleza, com impressionantes 2600 metros de muralha. Sua torre tem formato de menagem, ou seja, uma estrutura central, muito utilizada na era medieval, pois era a último reduto de defesa do castelo

Dinan

Dinan – típica rua medieval

Saint Malo

Nossa passagem por Saint Malo foi extremamente rápida, pois queríamos chegar no nosso destino que era La Gacilly ainda de dia. Isso foi uma pena, pois do pouco que conhecemos ficamos encantados.

Saint Malo

Saint Malo – cidade fortificada (parte histórica) de frente para o mar
Marina de Saint Malo

Saint Malo – Marina
Saint Malo

Carrossel – minha grande paixão

Sixt-Sur-Aff e La Gacilly

Incluiremos estas duas cidades no nosso texto, mas com muito pesar, pois já chegamos nelas bem tarde e saímos muito cedo, portanto, não vimos praticamente nada. Em Sixt-Sur-Aff apenas dormimos. Agora em La Gacilly saímos para jantar e caminhamos à noite pela cidade, não vimos muita coisa, pois suas ruas estavam escuras, mas dizem que é uma das vilas mais bonitas da Bretanha. Vamos ter que voltar para conferir.

La Gacilly Bretanha
La Gacilly Bretanha

Passeio noturno – felizes mesmo chegando no destino à noite

Motivo número 2 – A história

Nós sempre gostamos de incluir dados históricos em nossos textos e fazer isso com a Bretanha foi extremamente prazeroso. A história da França é fascinante desde o surgimento de Marselha 600 a.C. por mãos dos gregos à formação de Paris com sua fundação pelos romanos da então Lutécia, 52 a.C. , isso sem levar em consideração os períodos pré-históricos.

Para entendermos a história da Bretanha, temos que ter em mente o que compreendia o territória da Gália. A Gália era uma região um pouco maior do que a do que hoje é ocupada pela França, pois se estendia por parte dos territórios da Bélgica, da Alemanha e da Itália.

Mapa da Gália

Para se situar – Divisão e composição da Gália
Catedral Dol de Bretagne

Catedral Dol de Bretagne – catedral do século XIII, cujo a torre nunca foi concluída por falta de fundos. Nominoë foi coroado primeiro duque da Bretanha em 848 em uma antiga igreja neste mesmo local
 Dol de Bretagne

Vestígios Celta – em frente a catedral de Dol de Bretagne uma embarcação com o simbolo triqueta comumente utilizado para representar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) pela Igreja cristã céltica

Em 1532 a Bretanha foi incorporada ao reino da França pelo rei François I, em seguida, tornou-se um ducado colonizado mantendo apenas certos privilégios referentes a legislações e impostos que foram totalmente extinguidos após a revolução de 1789.

A Bretanha tornou-se mundialmente famosa através da série de Histórias em Quadrinhos “Asterix”, criada em 1959 pelos franceses René Goscinny e Albert Uderzo, na qual os habitantes de uma aldeia gaulesa localizada no litoral da então Armórica, liderados pelo guerreiro Asterix, resistiram bravamente ao invasor romano graças à poção mágica preparada pelo druida Panoramix, que lhes dava uma força sobre humana. A série vendeu mais de 300 milhões de unidades ao redor do mundo e foi traduzida em diversas línguas e agrada até hoje as novas gerações, pois foram eternizadas pelo cinema. Os últimos lançamentos foram Asterix e Obelix: a serviço de sua majestade em 2012 e a animação Asterix e o domínio dos Deuses em 2014.


O mais famoso dos heróis franceses é Bretão – Asterix esculpindo um Menir, que significa literalmente uma pedra longa

Motivo número 3 – As pessoas e a cultura da região

Quando falamos de uma viagem para a França, a maioria dos turistas normalmente se encantam com a sofisticação de Paris, com o charme dos Alpes ou com o clima do sul, mas na Bretanha o que nos encanta mesmo é a simplicidade. As pessoas têm o prazer de lhe receber em seus estabelecimentos, são simpáticos e prestativos, além de fazerem questão que você experimente uma comida típica da região, isso sem falar na cidra. São pelo menos duas coisas que você tem que experimentar ao ir para a Bretanha, o crepe de trigo sarraceno e a cidra, sendo que esta última geralmente é servida em um copo celta bem peculiar. Garanto que estes dois deveres são fáceis de serem cumpridos.

Nós chegamos à noite em Six-Sur-Aff, e quando falamos para a proprietária do hotel que teríamos que sair no dia seguinte antes do café da manhã, ela ficou muito chateada, pois para ela era essencial que provássemos da comida da região e que saíssemos satisfeitos. Tentamos explicar, mas ela só pareceu concordar quando dissemos que iríamos sair para jantar e que de modo algum partiríamos da Bretanha sem provar suas iguarias.

Cottage du Manoir de Trégaray

Cottage du Manoir de Trégaray – propriedade lindíssima, mas que ficamos por apenas uma noite

Já no restaurante em La Gacily, pedimos os famosos crepes de trigo sarraceno, mas para beber iríamos pedir um suco natural, de repente, a atendente nos olhou e sorriu, dizendo em seguida que visitar a Bretanha e não provar sua cidra era um pecado. Depois desta afirmação como não pedir a cidra? Foi exatamente isso que fizemos e simplesmente adoramos.

Restaurante La Mauvaise Graine

Restaurante La Mauvaise Graine – delícias da Bretanha com preço justo e ótimo atendimento

Quanto a cultura, não tem como falar da Bretanha sem falar dos celtas. A região é reconhecida como uma das 6 nações celtas pela Liga Céltica, juntamente com a Escócia, Irlanda, Ilha de Man, País de Gales e a Cornualha. Existem diversos grupos celtas e os bretões é um deles justamente por habitarem a região da Bretanha. Acredita-se que boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à conquista pelo Império Romano. Tamanha foi a importância desta civilização, que é atribuída à ela a introdução do ferro e da metalurgia no continente europeu. Atualmente sua cultura ainda vive pulsante no coração dos bretões, estando presente na música, nas artes e na culinária.

Encerramos este post com a sensação que deveríamos dar muitos mais motivos para você visitar a Bretanha, mas se fôssemos atender a este nosso desejo o texto ficaria demasiadamente longo, então, tentamos ser sucintos, mas ao mesmo tempo transmitir bastante carinho e emoção ao falarmos desta região tão especial que nos acolheu em um dos momentos mais importantes de nossas vidas: nossa lua de mel!

La Gacilly Bretanha

Bretanha – Fácil de amar, difícil de partir

Leia também: Como é se hospedar dentro do Mont Saint-Michel

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