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A problemática história de Rebecca – a mulher inesquecível

16 de novembro de 2020
Crítica do filme Rebecca uma mulher inesquecível

Com 98% de aprovação na Netflix e em alta por semanas na plataforma, somos apresentados a problemática história de Rebecca – a mulher inesquecível. Mas o que tem por trás deste remake de uma histórica clássica que tem como protagonista Lily James? Segue o fio…

O que vemos?

Rebecca é uma personagem sem arco, evidenciado pela ausência de informações sobre sua origem, contrastada com a imagem do esposo, Mr. Winter, no qual somos apresentados com nome, sobrenome e detalhes históricos da nobre família.

O tempo todo a trama nos conduz a usar o imaginário para projetar o que ou quem teria sido essa tal Rebecca que da título ao filme: uma mulher fascinante, espirituosa e, acima de tudo, livre. E é aqui que mora o problema. Eu não li o livro de 1938 que inspirou a história, nem o filme de Alfred Hitchcock, mas nesta versão cinematográfica parece que tentaram a todo custo justificar o assassinato de Rebecca simplesmente pelo fato dela ter ousado ser uma mulher a frente de seu tempo, despertando assim, o lado passional do macho que a matou por não ter conseguido domá-la. Aqui vemos o velho caso do pobre homem com orgulho ferido que decide lavar sua honra com sangue, e para a nova esposa tá tudo ok, ou pior, ela ainda embarca na missão de livra-lo da iminente sentença de homicídio.

Netlix – Foto (Reprodução)

A nova Sra. Winter parece aceitar muito bem seu papel aquém da ex, não cogita em momento algum que talvez possa ser a próxima a despertar a ira do seu benfeitor, aceita sua versão de bom grado, suspirando aliviada ao descobrir que seu conto de fadas está a salvo, afinal o príncipe matou a ex princesa porque a odiava e não porque a amava – Ufa que alívio, pensei que era porque eu não era tão boa quanto – E vc não é meu amor. Mesmo sem arco, imagem, ou qualquer informação mais palpável, a primeira esposa sempre será insubstituível. E dificilmente ela era a mulherzinha irritante que o marido descreveu. Ele sim merece diminutivo por ser um corno invejoso, que mesmo com todo o dinheiro faltava-lhe o fraquejo social e simpatia que Rebecca pelo visto esbanjava.

Não se enganem com aquele finalzinho mequetrefe a la “e viveram juntos para sempre” com o olhar de quem venceu, porque não cola. Quando uma mulher tenta acobertar um crime contra outra para salvaguardar o seu relacionamento, TODAS perdem.

Em tempos de “o problema é que hoje tem essas feministas” ou o bizarro “estupro culposo”, é muito importante ficarmos bem alertas com este tipo de narrativa, porque ela está longe de estar apenas em obras de ficção. Diariamente mulheres morrem em nome da honra dos maridos e pior, outras tentam justificar dizendo coisas do tipo: “ah mais ela pediu! Precisava desafiar o homi? Ele se sentiu ofendido né?” Se vc tb pensa assim, pare e volte 3 casas.

A memória de Leila Diniz e de tantas outras mulheres que morreram nas mãos de homens ciumentos, nos quais um dia confiaram e amaram, não merece que ainda exista este tipo de pensamento totalmente equivocado.

Questione. Reflita. Resista.

Beijos de luz para aquelas que ainda vagam pela escuridão, suspirando por um Mr. Winter qualquer da vida.

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