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A importância do ruído em O som do silêncio

by Jú Miyoshi | @movie.places
Crítica O som do silêncio

Imagina você ter um dom artístico, conseguir viver deste dom, ter sua vida tanto profissional quanto pessoal estruturada em torno dele e do nada, absolutamente do nada, você não poder mais vivencia-lo porque perde um componente essencial para sua execução. Esse é o drama de Ruben ( Riz Ahmed), um baterista que está prestes a sair em turnê quando perde drasticamente sua capacidade auditiva. Mas se engana quem vai assistir O som do silêncio esperando um filme sobre perdas. É preciso estar atento a todos os ruídos desta história.

O som do silêncio

Não espere por grandes explicações a respeito da nova condição de Ruben, termos médicos ou peregrinações na busca por respostas. O filme não é sobre isso, o que pode causar certa estranheza no espectador que já leu a sinopse e algumas críticas por aí. Somente com o avançar da trama é possível descobrir que a vida de Ruben tem ruídos incômodos nos quais ele não sabe lidar. Neste cenário, a perda auditiva acaba sendo o ponto de partida para que Ruben possa tentar entender o que está acontecendo ao seu redor e, principalmente, com ele mesmo.

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A questão da tradução

Sound of metal, ao chegar no Brasil, não recebeu uma tradução fiel, mas está longe de ser uma das piores, do tipo que não faz nenhum sentido para a história ou referência ao título original. O problema de O som do silêncio é que ele adquire um caráter poético que foge da essência angustiante no qual o design de som nos lança – o metal é o fio condutor da história de Ruben, é o ruído mal resolvido, é o estilo de vida que já não funciona nem para ele, nem para sua parceira, Lou (Olivia Cooke). É horrível admitir, mas a surdez de Ruben chega trazendo o silêncio necessário para a vida caótica daquele casal. Não é necessário flashbacks, ou longos diálogos expositivos para entender que aquela dinâmica já era, . Um simples ato de coçar nos revela muito sobre a sintonia daqueles dois. As vezes o amor não basta. É isso.

Oscar 2021

Ao todo, o filme foi indicado em em 5 categorias, incluindo as de Melhor filme, Melhor ator, para Riz Ahmed; Melhor roteiro original, Melhor ator coadjuvante para Paul Raci, Melhor edição e som. Deve ser um dos favoritos essa última categoria, parte devido aos sons metadiegéticos que nos coloca na pele de Ruben. Esse é o primeiro longa do diretor Darius Marder, que foi roteirista do filme O Lugar Onde Tudo Termina (2012). Darius ficou de fora da disputa de melhor direção, que está entre Thomas Vinterberg – Druk – Mais uma rodada; David Fincher – Mank; Lee Isaac Chung – Minari; Chloé Zhao – Nomadland e Emerald Fennell – Bela vingança.

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