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5 personagens bipolares em filmes e séries

22 de novembro de 2020
Personagens bipolares

Houve um tempo que falar sobre depressão era um tabu. As pessoas simplesmente desconversavam quando o assunto surgia, de tão incômodo que era. Hoje, a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) já considera a depressão uma epidemia, claro que ainda têm pessoas que equivocadamente julgam ser uma frescura, falta de religião, relacionamento, etc. Porém, algo que ainda não é amplamente dito é que há diferentes níveis de preconceito dentre os transtornos mentais, e esse post se refere ao dirigido a pessoas que sofrem de bipolaridade.É importante saber que todo bipolar tem depressão, mas nem todo deprimido é bipolar. Segundo a OMS, o distúrbio bipolar é caracterizado por períodos recorrentes de depressão e humor elevado, consistindo em aumento de energia e atividade durante as quais as pessoas podem ter perda de sono, extrema conversação e se envolver em comportamento irresponsável e é aqui que o alerta soa. Bipolares são vistos como pessoas pouco confiáveis, instáveis e que dificilmente podem assumir grandes responsabilidades. Isso não é verdade. Há casos e casos, além de diferentes fases da doença, por isso, como bipolar e amante de cinema decidi selecionar 5 personagens bipolares em filmes e séries para ajudar na compreensão do assunto.

Ben – Ozark


Ozark chegou a sua terceira temporada entregando mais uma vez um enredo bem escrito e excelentes atuações, mas esta última temporada nos mostrou também que a série é capaz de nos emocionar, e o tema que escolheram foi Bipolaridade. Fomos apresentado ao irmão de Wendy (Laura Linney), Ben (Tom Pelphrey), que até então era apenas lembrado durante conversas que sempre assumiam um tom de remorso e angustia, nunca fora totalmente esclarecida a história deles, o que os espectadores sabiam é que algo grave havia acontecido entre os irmãos.

Ben é uma ótima pessoa, amigo, fiel e companheiro, mas em seus momentos explosivos toma decisões equivocadas que põem em risco a vida daqueles que o ama. Quando medicado volta ao “normal” e todos ficaram felizes até ele engatar um relacionamento e descobrir o impacto que seus remédios causam na vida sexual. Ele passa a enfrentar o dilema do possível abandono do tratamento.

A atuação de Tom Pelphrey é brilhante e nos emociona a cada episódio, foi uma pena ele ter ficado fora do Emmy deste ano. Enfim, a injustiça.

Ben - Ozark
Bipolar
Netflix – Foto (Reprodução)

Lexi – Modern Love

Quem sofre de distúrbios de humor dificilmente não se emocionará com o episódio 3 de Modern Love ao ver sua vida sendo retratada através de Lexi. Não pense que é algo pesado, do tipo dramalhão, muito pelo contrário, ele começa de forma leve e descontraída, com Lexi feliz e fazendo mil e uma tarefas, exemplificando muito bem a fase da mania. Uma vez nela, além de motivada a moça se importa com sua imagem. Seus belos modelitos são inspirados em musas do cinema clássico, dentre elas Rita Hayworth, que teve o auge se sua carreira na década de 40, ela inclusive é citada e aparece de relance na TV, é muito provável que tenha sido intencional, afinal Rita também tinha depressão.

Prime Video – Foto (Reprodução)

Pat e Tiffany – O lado bom da vida

A adaptação do bestseller O lado bom da vida chegou aos cinemas em 2012 e rapidamente também conquistou espectadores ao redor do mundo. A história de um casal unido por circunstâncias inusitadas após cada um enfrentar situações traumáticas despertou interesse por questões que envolvem a saúde mental e relacionamento amoroso entre pessoas portadoras de transtornos de humor.

Pat e Tiffany (Bradley Cooper e Jennifer Lawrence) vivem situações trágicas e cômicas, são socialmente inadequados, falam e fazem coisas que deixam os amigos e familiares de cabelo em pé. No fundo eles só querem ser aceitos e amados.

As atuações foram tão convincentes que Jennifer levou o Oscar de melhor atriz em 2013.

The Weinstein Company – Foto (Reprodução)

Kat Baker – Spinning Out

Unindo drama familiar, romance e patinação artística, a série Spinning Out chegou a Netflix no início deste ano contando a história de Kat, uma promissora patinadora que enfrenta oscilações de humor, prejudicando sua carreira. Ela herdou de sua mãe tanto o dom artístico quanto o transtorno bipolar. Juntas, elas terão que superar dificuldades, como, resolver traumas e mágoas do passado.

Infelizmente, em fevereiro a Netflix anunciou que a série não seria renovada, o que causou grande revolta nos fãs (incluindo eu 😡), porém, há rumores que eles estão repensando sobre esta decisão. Sabemos que nem todo mundo gosta de começar assistir série que foi cancelada, mas se você, assim como eu, é fã de patinação artística, pode ir sem medo ver Spinning Out que não irá se arrepender.

Netflix – Foto (Reprodução)

Lisa Rowe – Garota Interrompida

Quando a gente pensa em personagem bipolar logo nos vem em mente Lisa Rowe (Angelina Jolie) em Garota Interrompida, um clássico dos anos 2000. Ao ser internada numa instituição psiquiátrica, Suzanna Kaysen (Winona Ryder) conhece a intrigante Lisa, uma paciente veterana que sofre de Transtorno de Personalidade Limítrofe, também conhecido por Boderline, ela irá apresentar a Suzana as peculiaridades das outras pacientes, do lugar, além de a conduzir pelos caminhos tortuosos de sua mente.

O filme tem no elenco a talentosa Brittany Murphy que nos deixou em 2009.

Columbia Pictures – Foto (Reprodução)

Meu diagnóstico

Recebi o diagnóstico de boderline aos 19 anos. Um diagnóstico tardio que pouco me impactou na época, tanto que sequer quis dar continuidade a terapia. Decidi, então, tomar medicamentos por conta própria mais no intuito recreativo do que terapêutico, resultado: me viciei completamente em psicotrópicos . Quando percebi que eles já não surtiam o efeito inicial, parti para as drogas ilícitas.

Foram anos de muita luta, crises envolvendo automutilação e tentativas de suicídio que abalaram amigos, familiares, prejudicando também minha vida profissional. Após uma overdose percebi que queria mudar, eu estava no fundo do poço e precisava reunir o que havia sobrado de forças para voltar a superfície e foi isso que fiz. Hoje, 6 anos após esta decisão vivo uma vida quase “normal”, quase porque continuo com o transtorno, ele provavelmente irá me acompanhar até o fim da minha vida, a diferença é que agora sigo o tratamento, porque reconheci minha condição, e apesar dela não definir quem eu sou, é importante saber o papel que exerce. E por falar em papel, o da família e dos amigos interfere diretamente na melhora ou piora do quadro. Por isso, cuidado com as palavras, julgamentos. Eu sei que é difícil, mas tente ter paciência e esperança que as coisas irão melhorar.

P.S.: Esse post é dedicado a CD4 (em memória), meus pais, amigos, meu esposo Roberto e principalmente, ao meu filho Theo, razão da minha vida, aquele que me dá forças para seguir lutando. Um dia de cada vez.

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