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5 cenas pesadas em filmes sobre drogas

23 de dezembro de 2020
Filmes Junkies - Filmes sobre drogas

Dezembro chegou e geral fazendo listinha com filmes natalinos fofos para assistir. Adoro! De verdade, sem ironia. Mas esse ano eu decidi fazer diferente. Decidi me voltar ao passado e relembrar como durante muito tempo passei essa época do ano, que pra mim era uma das piores: drogada, anestesiada. Felizmente superei essa fase, mas acho importante nunca esquecer para poder valorizar o que tenho hoje. Separei 5 cenas pesadas em filmes sobre drogas, para mostrar o impacto que o abuso destas substâncias podem causar.

Atenção

É importante ressaltar que nem todo usuário de drogas passará por situações exatamente como as retratadas nos filmes selecionados. Há pessoas que conseguem usar durante toda a vida de forma recreativa, por mais raro que isso seja, algumas irão passar por uma ou outra situação semelhante, ou ainda achar que é um exagero, que o cinema aumenta as coisas. Lembre-se que raramente alguém começa numa espécie de cracolândia, a descida é gradual e para muitos, contínua.

Trainspotting: Sem Limite

Danny Boyle, 1996

Renton (Ewan McGregor) é um jovem completamente submerso na cena das drogas de Edimburgo, que apesar do fascínio das drogas e da influência de amigos, tenta ficar limpo e sair. Seu senso de humor faz uma contraposição com o clima pesado dos ambientes em que frequenta, e isso fica evidente já nas primeiras cenas. A da privada me enojou profundamente e poderia ter sido a escolhida, mas por se tratar de uma de suas viagens, preferi uma que realmente causasse desconforto: a do bebê engatinhando meio as drogas, seringas e os adultos em volta se drogando e não dando a mínima para ele. É triste, é pesado, mas infelizmente é a realidade de muitas crianças que nascem neste tipo de ambiente.

Trainspotting cena do bebê
baby scene
Trainspotting – cena angustiante de um bebê engatinhando meio a drogas

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída

Uli Edel, 1981

Versão cinematográfica do livro que conta a história real de uma menina alemã que começa a se aproximar das drogas ainda na adolescência e se vê imersa no submundo do vício, onde para sustentá-lo passa a prostituir-se. Lançado na década de 1980, o filme fez sucesso no Brasil nos anos 90, tornando-se um clássico Junkie, exibido até mesmo em escolas. Na época, o que mais chocava era a idade de Cristiane, com apenas 13 anos já se encontrava a própria sorte pelas ruas de Berlim. Diversas cenas são bem tristes, não do tipo de te fazer chorar, mas de te fazer refletir o quão vazia pode ser a existência humana. Uma das que mais me entristeceu foi a dela e de seu namoradinho tentando ficar limpos, lutando contra todos os efeitos da abstinência. De repente o espectador se agarra a um fio de esperança que num piscar de olhos é cortado com uma lâmina afiada. É isso, tudo se resume a desesperança e fundo do poço.

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída
Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída

Candy

Neil Armfield, 2006

E por falar em desesperança, vamos falar de Candy, esse filme com cara de fofo que nos faz acreditar nesse casal lindo formado por Dan (Heath Ledger) e Candy (Abbie Cornish), mas que esmaga nossos corações sem piedade. Aparentemente eles tinham tudo para dar “certo”, jovens, bonitos, artistas – ele aspirante a poeta e ela pintora, mas vão se enveredar pelo caminho das drogas, em especial, da heroína. Eles perdem o controle das próprias vidas, que viram um caos e nem a gravidez de Candy consegue mudar o rumo da história. E é aqui que, na minha opinião, está a parte mais pesada do filme. Não é fácil ver uma mulher grávida usando drogas, vivendo meio a imundice, porém, usuárias de drogas também engravidam e o abandono do vício raramente acontece com a notícia que ela está esperando um bebê. A realidade é que a criança pode sofrer inúmeras consequências, uma delas é apresentar a síndrome de abstinência neonatal após a exposição intrauterina a opióides como heroína.

Candy Movie Heath Ledger
Candy – Heath Ledger e Candy Abbie Cornish dão vida a um casal viciado em heroína

Réquiem para um sonho

Arron Aronofsky, 2000

É praticamente impossível criar um lista com cenas pesadas em filmes sobre drogas sem citar Réquiem para um sonho. Difícil também é escolher apenas uma cena, pois o filme é repleto de situações angustiantes, onde seus personagens são levados ao limite da tensão em suas jornadas insanas para conseguir uma dose de heroína, ou ainda, um medicamento para emagrecer e finalmente caber num maldito vestido vermelho.
Meio a tantas tragédias, há uma cena que resume bem a degradação dos corpos já totalmente entregues ao vício, é a ass to ass. A obra de Arron Aronofsky não se limita em apenas mostrar que Marion (Jennifer Connelly) sucumbe a prostituição para sustentar o vício. Não, ele mostra como isso se dá, escancara os bastidores, o negociante, o ambiente e o quão ela deverá suar (literalmente) para ganhar a grana necessária para a próxima dose. Senhores, é muita degradação.

Requiem for a dream ass to ass
Réquiem para um sonho – Ass to ass, uma das cenas mais degradantes

Sid e Nancy – O amor mata

Alex Cox, 1986

O casal punk  que balançou a década de 1970 com seu comportamento rebelde e suas brigas teve sua sua cena final em 28 de fevereiro de 1978, no Chelsea Hotel onde eles viviam. Na suíte de número 100, Nancy foi encontrada morta com uma facada no abdômen, Sid foi preso acusado de assassinato, mas morreu pouco tempo depois de overdose.

Em 1986 foi lançado o filme Sid e Nancy – O amor mata, que mostra uma versão mais romanceada da tragédia, sugerindo um pacto de morte. Você pode assistir a cena e não achar tão impactante, mas se parar pra pensar que é a versão cinematográfica de uma situação que aconteceu na vida real, onde uma pessoa saiu morta daquele quarto de hotel e outra presa, aí talvez, consiga entender o quão pesada era a relação deles.

Sid e Nancy - O amor mata
Sid e Nancy – O amor mata – Gary Oldman e Chloe Webb estão perfeitos no papel do casal punk

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